segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Desilusão? Nada disso!

Obviamente olho para os resultados globais dos atletas portugueses em Pequim com algum desalento mas com certeza, seria patético afirmar o contrário, ninguém estará mais frustrado neste momento que os próprios atletas que ficaram aquém das expectativas.
Mas digam lá que mais se pode exigir de pessoas que dão (quase) tudo das suas vidas para atingirem os mínimos, para se prepararem para a derradeira competição, depois das condições que damos à grande maioria? Não digo que são miseráveis, até tem havido algum esforço das entidades “superiores” nos últimos tempos, mas fazendo uma comparação com os restantes países facilmente se vislumbram as diferenças abismais. Ou será que estou a ver mal e afinal estamos na China a competir sozinhos? Alguns até quase abdicam das outras competições internacionais para se apresentarem nas Olimpíadas na máxima força. O desabafo de Gustavo Lima (a medalha de bronze era inteiramente merecida) leva-me para as acusações sobre o dinheiro que se gastou com a preparação dos Jogos. Parece muito? É só dividir esse valor pelo número de atletas e comparar com os prémios individuais dos jogadores da selecção de futebol quando vão às fases finais e lembrar que um dia estes meninos tiveram a distinta lata de pedir isenção fiscal aos seus prémios. No mínimo, os que actuam em grandes clubes, deveriam doá-los, que falta lhes faria? E já que dizem que lá vão pelo orgulho pátrio, que necessidade existe para se atribuir prémios? Portanto, o desabafo do Gustavo faz todo o sentido e, se querem mesmo obter mais medalhas, não há outro remédio que não seja oferecer todas as condições. Senão, resta-nos o consolo de os ver lá com dignidade e, esta, ninguém pode pôr em causa. Que ninguém se sinta envergonhado!
Para a história ficam as medalhas de ouro para Nelson Évora (não vou esquecer o abraço emocionado depois do seu último salto àquele que de vizinho quando chegou de Cabo Verde passou a treinador, João Ganço, a ele se deve muito o êxito) e de prata para Vanessa Fernandes (numa palavra, BRILHANTES). Mas todos os atletas portugueses, pelo esforço, dedicação e ambição ganham a medalha de diamante, são os heróis nacionais.
As piores reacções tiveram o epicentro a partir das declarações de Marco Fortes após o seu mau resultado. No momento achei as mesmas um pouco despropositadas mas rapidamente percebi que o homem por detrás do atleta usou o sentido de humor para mostrar a sua frustração. Agora deu para perceber que em Portugal, para além de se atirar pedras logo ao primeiro desaire, também há muitas “flores de estufa” que se melindram muito facilmente. Haja sentido de humor, precisamos de mandar embora o cinzentismo estampado no rosto deste povo. Os sorrisos combinam melhor com as belas paisagens deste pequeno rectângulo ajardinado …
E o que será mais grave? As declarações do lançador do martelo ou do Presidente do Comité Olímpico Português que num momento diz que se vai embora e depois do resultado do Nelson já fica? Isto soa a “agarrado ao tacho” independentemente das competências que tenha até aqui demonstrado… A nossa atleta de salto Naide Gomes entrou na prova (pouco depois das declarações de Vicente Moura) visivelmente nervosa mas Presidente é Presidente e por isso não se questiona o timing completamente despropositado utilizado para fazer balanços.
E se fossem atletas lusos a deixarem cair o testemunho na prova de estafetas como aconteceu com a equipa norte-americana feminina, ainda por cima uma repetição do sucedido nos jogos anteriores?
Às vezes até é positivo não se ser muito patriota para se olhar para certas coisas com isenção e objectividade. É que, apenas um pormenor a acrescentar a tudo isto, esta foi em termos globais a melhor participação de sempre de uma delegação portuguesa numas olimpíadas. E esta, hein? Um abraço ao eterno Fernando Pessa, a quem roubei a sua tirada final de cada reportagem!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

From London with Love



O ar cosmopolita com que se depara quem entra nos principais bairros londrinos pode bem ser o click para se desfrutar plenamente de uma estadia mais ou menos demorada por esta cidade que também é special one.

Há um sem número de aspectos que se podem destacar pela positiva como sejam a limitação do tráfego automóvel que permite às ruas pintarem-se de vermelho dos double decks e negro dos táxis castiços (embora algo adulterados pela publicidade em que até o Allgarve participa); a funcional rede de metro e comboio que chegam a todo o lado a preços acessíveis; a qualidade de vida que se respira de que são exemplos os enormes e bem zelados espaços verdes habitados por frondosas árvores que abrigam esquilos e quem mais o pretender; os fins de tarde descontraídos, pára-se num pub e bebe-se uma cerveja por entre dois ou mais dedos de conversa...

Mas nem tudo são rosas cor de rosa como a da nossa Ana Moura, por exemplo a face escura e degradante de bairros limítrofes próprios de uma grande metrópole; alguma degradação e lixo acumulado em algumas estações do metro; o Thames parece não ter a mesma sorte dos jardins e monumentos pois recebe o que não pede e leva com continuadas construções demasiado em cima das suas águas - quem sabe um dia ainda se revolta...

Entre o que se destaca pela positiva e pela negativa há espaço para surpresas. Para mim em particular destaco Greenwich, com magníficas vistas para o rio e a cidade, do alto da sua encosta relvada, a sensação de estar com um pé de cada lado do Mundo, dividido pelo meridiano que nos orienta o relógio.

E finalmente um apontamento digno de um verdadeiro sortudo, o tempo esplendoroso que encontrei contrariando as habituais expectativas que pairam no ar quando se diz I'm going to London...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Quem sonha fica mais perto de alcançar

Este texto é dedicado aos alunos da minha turma Extra-Escolar que há pouco me pregaram uma grande partida de final de Curso (esta dedicatória estende-se à turma que fez o Curso no 1º trimestre pela qual nutro sentimento semelhante). Quando se leva com uma partida destas é impossível ter uma reacção serena, racional... e tudo o que se disser é o coração a falar mas um coração emocionado acaba por não dizer tudo o que se pretende pelo que vos escrevo estas palavras para vos fazer o justo agradecimento. Adorei os bolos caseiros (de chocolate da Mª do Carmo; de mármore da Mª José e de requeijão da Mª Vitória - Nham Nham Nham - acompanhados por um Porto pois claro :-))) A carteira realmente estava a precisar porque a minha já andou pela guerra... mas não precisavam ter gasto dinheiro, o brilho que eu vi nos vossos olhos foi o melhor reconhecimento que eu poderia almejar.

"Adoptei-vos" desde o primeiro instante pois cedo percebi que tinha ali um grupo com quem poderia fazer coisas muito interessantes e ver-vos crescer no mundo da Informática foi um prazer que me fez chegar a cada 3ª, 4ª e 5ª à noite cheio de vontade de vos encontrar. Neste momento já sou eu que tenho um forte brilho nos olhos, de saudade mas também de regozijo por poder dizer que vos tive como alunos; foram mais do que isso e percebi hoje que vocês sabem bem que o foram...

Ter uma turma assim ajuda-me a crescer como professor mas, acima de tudo, como ser humano. Proporcionaram-me grandes momentos de humor mas também me presentearam com a vossa entrega, perseverança, sabedoria, com a vossa humildade... Por isso, posso dizer que hoje sou um homem mais rico (com carteira nova e tudo :-))))

Termino com um poema de António Gedeão que se transformou na célebre música de Manuel Freire, que vos dedico porque a letra encaixa plenamente na forma como eu vos vejo a chegar à escola com o caderno debaixo do braço.
Obrigado por terem passado pela minha vida, de forma breve mas marcante! Um bem-haja a todos...

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Viagem por grandes obras...

Num dos últimos textos que publiquei ia falar de grandes obras de escritores portugueses que tenho (re)vivido mas comecei pel"Os Lusíadas" e não mais avancei. Deve-se, sem dúvida, à sua infinita grandiosidade! O que vou cá destacar é uma colecção de romances que uma conhecida cadeia de supermercados decidiu re(apresentar) a preços convidativos e com uma imagem renovada. Adorei viajar com Almeida Garret pelo Tejo e pelo vale até Santarém (apenas discordo dele num apontamento final em que se manifesta em absoluto contra os caminhos de ferro que estavam a surgir na altura e apela à construção de estradas de pedra para cavalos e diligências percorrerem o país; discordo porque o comboio é o meu meio de locomoção favorito; uma viagem de comboio produz sensações incríveis, olhamos pela janela e assistimos a um filme de imagens animadas e coloridas que a natureza nos oferece, mas não precisa de ser muito rápido - o TGV dispensa-se - pois a viagem impõe-se descontraída e saboreada; quando se dá conta já estamos no destino e, por isso, a viagem não deixou de ser rápida como sempre se pretende; mas também acredito piamente que se o grande escritor vivesse hoje dispensaria muito bem as estradas e iria apreciar uma viagem sobre carris...). Viajar de carro até pode ser prático, viajar de avião até pode ser rápido, viajar de barco até pode ser delicado, viajar de bicicleta até pode ser saudável, viajar a pé até pode ser sabedoria mas viajar de comboio é isso tudo e mais, é magia...

Mas retomando as grandes obras, foi óptimo deambular com Eurico (guerreiro visigodo de Alexandre Herculano que se converte em Presbítero ao ver-lhe negado o amor a Hermengarda) de Toletum (Toledo) até aos cerros escalvados do Calpe (Gibraltar) de onde se avistavam bem perto os cimos das torres de Septum (Ceuta); dos campos de guerra da região de Híspalis (Sevilha, na altura dos romanos também conhecida por Rómula) até ao refúgio (Covadonga) das Astúrias onde não aceitou resignar-se. E que dizer do tresloucado Amor de Perdição de Simão por Teresa de Camilo Castelo Branco que os leva de Viseu até ao enclausuramento no Porto? E as Pupilas do Senhor Reitor (Margarida e Clara) de Júlio Dinis com as suas vivências cruzadas com Daniel no Alto Minho. E, obviamente, não poderia faltar o amor incestuoso de Carlos e Eduarda em "Os Maias" de Eça de Queirós, obra em que o escritor não poupa a decadência moral de então da 'alta' sociedade da capital e não só. Resta dizer que muito do que estes homens nos legaram através dos seus livros mantém-se actual, para o bem e para o mal...


Agora que este vício me invadiu, estou já a preparar a minha próxima viagem no tempo que pode ir desde A Cidade e as Serras ao encontro com A Morgadinha dos Canaviais e aproximar-me da actualidade com Mau Tempo no Canal, A Selva, Aparição, Memorial do Convento, A Sibila e tantos mais...

Aproveito para deixar aqui uma mensagem pelo seu aniversário à maior gladiadora da vida que alguma vez conheci, a minha mãe. Parabéns e muitos anos para me continuar a aturar!

quinta-feira, 20 de março de 2008

If I Saw You In Heaven?

Hoje começa a Primavera e invadem-nos novas sensações, coloridas pela variedade de essências que a Mãe Natureza nos presenteia. E como é bonita de viver a Primavera da Vida que há muito tempo canta o Rui Veloso, este ano com um sabor mais doce porque surge em plena época da Páscoa com os seus ovos, amêndoas e tradições típicas de cada região. Como é rico este país em diversidades de todos os quadrantes nas suas pequenas divisões geográficas, diversidades vistas pelos olhos de alguém cuja condição meio apátrida permite alguma isenção.

Mas este dia é especialmente marcante para mim porque o Quim comemorou exactamente há um quarto de século o seu 16º aniversário o que quer dizer que, se não lhe tivesse sido roubada a vida nesse mesmo ano, hoje estaríamos a comemorar as 41 Primaveras do meu irmão mais velho. Devo dizer que sou um quase agnóstico ou pelo menos algo céptico relativamente às religiões; até acredito que haja uma força exterior que nos transcende e não fico indiferente a manifestações de fé como já presenciei algumas vezes mas nada me toca mais que a companhia do meu irmão desde que partiu e que eu sinto a celebrar comigo todas as coisas boas que me acontecem e a apoiar-me nos momentos mais difíceis.
Quando partiste ouvi muita gente dizer que a nossa mãe tinha ficado sem o filho mais velho mas tinha ficado com um muito semelhante e cujo o rosto não te deixaria cair no esquecimento, o sétimo filho, eu... Esses comentários não me deixaram indiferente mas a herança que me deixaste de que mais me orgulho é a forma grata de olhar a vida, de a encarar com optimismo. Não duvido que a herdei de ti porque, apesar da minha tenra idade na altura, bem me lembro o que a tua forma de ser provocava em todos nós. Gostaria imenso de ver a expressão do teu rosto em tantos momentos... o que mais destaco é o nascimento da nossa sobrinha mais velha há exactamente 10 anos, a Rita. Talvez tenha nascido a 20 de Março para preencher de alguma forma o vazio que a tua partida nos deixou, talvez tenhas mexido os cordelinhos para que tal acontecesse de forma a não nos esquecermos de ti. Podes acreditar que nunca te esquecerei porque imagino-te através da energia que sinto caminhar ao meu lado e que não me abandona e que eu sei que és TU!

Obrigado irmão, um brinde a ti e à Rituxa, parabéns!
P.S.
Revelo-te agora que, desde que conheço a música "Tears in Heaven" de Eric Clapton, a associo sempre a ti:
Would you know my name
If I saw you in heaven?
Would it be the same
If I saw you in heaven?
Para quem leu este texto fica o endereço onde pode ver a interpretação da música:

terça-feira, 11 de março de 2008

Avaliação dos Professores

Tenho lido muitas opiniões sobre o reboliço em que os docentes se viram envolvidos nos últimos tempos. Considero importante que todos os docentes se afirmem peremptoriamente, repito, peremptoriamente, a favor de uma avaliação. Como em qualquer outra actividade, há bons e maus professores, profissionais e incompetentes, pelo que urge separar o trigo do joio a fim de voltar a credibilizar aos olhos da Sociedade esta mui nobre profissão e de garantir o merecido reconhecimento que em tempos granjeou.

Mas de que forma?

1.De forma a empreender uma segregação na classe, elevando ao topo da pirâmide alguns BONS professores, distinguindo-os de muitos outros igualmente BONS professores, só porque não há dinheiro para pagar a todos os BONS?

2.De forma a valorizar o preenchimento de uma cada vez mais exorbitante quantidade de papelada ambígua que estrangula o tempo necessário para se encontrar estratégias para aumentar a produtividade das aulas?

3.De forma a contribuir para que a fraude ultrapasse pela direita a verdadeira dedicação à causa?

4.De forma a vedar o acesso ao exercício a novos docentes que não consigam atingir um determinado resultado numa prova de acesso, depois das muitas provas no percurso académico? O que significa isto, uma avaliação por antecipação ou uma forma perversa de combater o desemprego na área? Ao que tudo indica, quem não conseguir atingir os mínimos nem professor se pode designar.

5.De forma baseada no parecer dos gestores das novas escolas autónomas? Mas é preciso cuidado porque a autonomia mora ao lado do livre arbítrio de quem tem o poder; como é que os gestores dos estabelecimentos verão a sua "imparcialidade" fiscalizada?

6.De forma a, assentando os seus pressupostos nos resultados dos alunos, contribuir para a gestação de "analfabetos" que irão um dia destes tomar conta do país nos seus mais diversos sectores? Não será preocupante cair-se numa lógica de facilitismo desmesurado só para se atingir elevadas taxas de encartados? A UE vai ficar contente com os números; algumas pessoas neste rectângulo à beira-mar desenhado radiantes; a maioria dos alunos indiferente porque sabem que não precisam de esforço para chegar à meta, chegam de qualquer forma; uma boa parte dos professores desalentada ao ver-se involutariamente atada de forma umbilical a esta realidade. Todas as medidas que retirem aos ombros dos alunos o peso da exigência são medidas com elevados custos a médio/longo prazo.


Não é isto que se pretende para a educação; esta constitui um bem público essencial pois é a base do sucesso de uma Sociedade que se preze e, como tal, demasiado sério para se utilizar como um brinquedo. Acima de tudo, impõe-se uma avaliação séria e justa para que a educação continue a ser uma causa à qual apareçam pessoas motivadas para se dedicar.


Por tudo isto, pais deste país, pensem bem no mundo que querem que os vossos filhos construam para os vossos netos! E dirijo-me aos pais porque, mesmo tendo em conta as dificuldades que muitos passam para levar a vida a bom porto, não tenho dúvidas que a eles cabe o maior esforço para que o barco chegue a alto-mar. Se fizerem esse esforço, os professores estarão nas escolas para ajudar os alunos a seguir a melhor rota e enfrentar as tempestades de Adamastor.




segunda-feira, 10 de março de 2008

E este país, será para velhos?

Não fosse eu como São Tomé (ver para crer, a sua filosofia de vida) e já teria comentado a atribuição dos óscares. "Este país não é para velhos" foi eleito o melhor filme e a dupla Joel e Ethan Cohen finalmente reconhecida com a estatueta da realização (o reconhecimento de "Fargo" soube a pouco). Tudo bem, o filme traz o tempero dos westerns para uma realidade mais actual, de uma forma bem satírica, realçando as razões - nenhuma aparentemente - que levam uns quantos malucos a desatarem a cravar-se de tiros. Algumas partes do filme são bem caricatas, para outras nem se apresenta explicação; talvez não seja necessário, talvez não tenha interesse explicar. O problema é esta minha mania de querer encontrar uma explicação bem racional para tudo o que mexe.

Mas, e Quentin Tarantino com o seu Kill Bill e Uma Thurman no papel de vingadora? Pois para mim não houve dúvida na altura que se trataram de 2 grandes filmes (em especial a sequela) mas foram completamente ignorados em Hollywood. Com isto não quero desvalorizar a conquista dos 2 irmãos, bem pelo contrário! Por isso mesmo, será que sopram ventos de mudança no interior da Academia? Terão receio de alguma coisa ou estarão apenas a descortinar novos horizontes? Então e Tim Burton e as suas criações? E Johnny Depp com as suas fantásticas interpretações? Em cada pele que veste é um assombro de talento em acção e sem limites, capaz de dar vida ao boneco mais inanimado. Para mim ele já ganhou mais de uma dezena de óscares e ai daquele que diga o contrário :-)))

E já que falamos em "vencidos" (os vencedores nem precisam de comentários pois se ganharam é porque tiveram o seu mérito) deixo uma palavra para duas pessoas: George Clooney e Saoirse Ronan. O primeiro dispensa apresentações mas a verdade é que quem o vê apenas como o grande galã (e não é atributo que lhe fique mal, eu até me vou candidatar ao lugar quando tiver idade :-))) o melhor é reparar no seu comportamento em "Michael Clayton" e verificar como ele preenche o ecrã com talento puro e não com esse estatuto. A segunda é uma miúda que encanta e deixa boquiaberta qualquer pessoa em "Expiação"; com o seu olhar de serpente não deixa ninguém desviar os olhos do ecrã. Contudo, se ela vencesse, se calhar o título do filme mais galardoado faria mesmo sentido e esse não é, de certeza, o verdadeiro pensamento dos Cohen.
Para o ano há mais, veremos que surpresas a malta cinematográfica nos vai reservando...